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1 — O FATO: DIA 13 — O DIA EM QUE OS EUA ABRIRAM O COFRE RUSSO

1.1 — TRUMP SUSPENDE SANÇÕES AO PETRÓLEO RUSSO: A DECISÃO MAIS IMPROVÁVEL DA GUERRA

Na noite de quinta-feira (12/03), o Secretário do Tesouro Scott Bessent anunciou via X que os EUA autorizariam temporariamente a compra de petróleo russo já carregado em navios no mar. O waiver — válido até 11 de abril — cobre os ~124 milhões de barris de crude russo flutuando em 30 localidades ao redor do mundo. Bessent classificou a medida como 'estreitamente calibrada, de curto prazo' que 'não fornecerá benefício financeiro significativo ao governo russo.'

A contradição interna foi imediata. O próprio Bessent admitiu à Sky News que era 'uma inevitabilidade e infeliz' o fato de a Rússia ganhar com a decisão. A Europa reagiu com consternação — o waiver corrói o mecanismo de pressão financeira sobre Moscou construído desde 2022. Zelensky disse que a ação 'não ajuda a paz.'

O impacto real no petróleo foi mínimo. 124 milhões de barris = ~6 dias de suprimento global. Com Hormuz bloqueando 15-20Mb/d, o waiver russo representa matemática insuficiente — como colocar uma curita numa artéria rompida.

Analistas da LSEG: 'O Brent já rompeu US$100 e continua suportado apesar do waiver russo e da liberação sem precedentes de estoques de emergência. O mercado vê isso como solução de curto prazo que não endereça o cerne da perturbação de oferta.'

1.2 — O KC-135: 6 MILITARES EUA MORTOS — TOTAL CHEGA A 13

O exército americano confirmou que todos os seis tripulantes de um KC-135 (avião de reabastecimento aéreo) morreram quando a aeronave caiu no oeste do Iraque durante operações de apoio à guerra contra o Irã. O Pentágono declarou que a aeronave não foi atingida por fogo inimigo ou amigo — causas ainda investigadas. A queda eleva o total de mortes militares americanas para 13: sete por fogo inimigo, seis no acidente.

Em paralelo, 2.200 fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária do Corpo de Fuzileiros (USMC), baseados em Okinawa a bordo do USS Tripoli, foram despachados para o Oriente Médio. Função: não especificada. Wall Street Journal e NPR confirmaram o deslocamento.

1.3 — KHAMENEI: FERIDO, INVISÍVEL, MAS AMEAÇANDO 'NOVOS FRONTS'

O Vice-Presidente JD Vance confirmou publicamente que Mojtaba Khamenei está ferido: 'Sabemos que ele está machucado; não sabemos exatamente o quanto, mas sabemos que está machucado.' Trump disse à Fox Radio que Khamenei está 'danificado' mas 'provavelmente vivo de alguma forma'. Hegseth foi mais longe: 'Sabemos que o novo e chamado, não tão supremo líder está ferido e provavelmente desfigurado.'

Netanyahu: Khamenei 'não pode mostrar seu rosto em público.' Nenhum vídeo ou áudio do líder foi liberado após 13 dias de guerra — a declaração de quinta-feira foi lida por um apresentador de TV com foto estática.

O paradoxo: um líder fisicamente comprometido que, por isso mesmo, tem incentivo político para demonstrar dureza máxima através de comunicados escritos e ações militares. A ameaça de 'novos fronts onde o inimigo tem pouca experiência' permanece no ar.

1.4 — GOLPE PERTO DO RALLY DO DIA DE QUDS — NOVO NÍVEL DE OUSADIA

Explosões atingiram imediações de um comício pró-governo em Teerã no Dia de Quds — com o presidente Pezeshkian, o chefe de segurança Ali Larijani e o ministro das relações exteriores Araghchi presentes no local. Pelo menos uma pessoa morta. Israel e Irã trocaram novos strikes. O IDF declarou que executou mais de 200 ataques nas últimas 24h em Irã ocidental e central — mísseis balísticos, sistemas de defesa aérea e instalações de fabricação de armas — incluindo strikes simultâneos em Teerã, Shiraz e Ahvaz.

Um strike em Teerã causou explosão próxima à manifestação organizada pelo Estado em apoio aos palestinos — transmitida ao vivo pela IRIB. A IRGC afirmou ter conduzido 'a 42ª onda de strikes de retaliação' contra bases dos EUA e 'o centro de Tel Aviv.'

1.5 — PEZESHKIAN: TRÊS CONDIÇÕES PARA O FIM DA GUERRA

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian articulou formalmente as condições de Teerã para encerramento do conflito: (1) reconhecimento dos 'direitos legítimos' do Irã, (2) pagamento de reparações pelos danos de guerra, e (3) garantias internacionais firmes contra futuras agressões. Nenhum analista ocidental ouvido pela imprensa interpretou as condições como ponto de partida real para negociação — mas é a primeira articulação formal de uma posição de paz iraniana desde o início do conflito.

1.6 — MERCADOS GLOBAIS: SEGUNDA SEMANA DE CHOQUE

Brent fechou acima de US$100 pelo segundo dia consecutivo: US$103,14 (+2,67%). WTI: US$98,71 (+3,11%). Alta semanal do Brent: ~9%. Acumulado desde 28/02: +36%. Goldman Sachs revisou projeção: média de US$100+/bbl em março inteiro; US$85/bbl em abril (assumindo reabertura de Hormuz). Se o fechamento se estender a dois meses, projeção de fim de ano sobe de US$71 para US$93.

Bolsas asiáticas abertas na sexta-feira em queda: Nikkei -1,59%, KOSPI -3,06%, Taiwan -1,09%. Goldman também revisou previsão de PCE (inflação) americana para cima e cortou projeção de PIB dos EUA. Trump sobre quando a guerra vai terminar: 'quando eu sentir nos meus ossos.'

2 — O CONTEXTO: O QUE OS DIAS 13/14 SIGNIFICAM PARA EMPRESÁRIOS

2.1 — A ARMADILHA DO 'SUPPLY FIX': POR QUE TODAS AS MEDIDAS ESTÃO FALHANDO

Em 13 dias de guerra, os EUA e aliados ativaram quatro instrumentos de emergência para controlar o petróleo: (1) declarações de Trump sobre fim rápido da guerra, (2) liberação de 400M bbls da IEA, (3) 172M bbls do SPR americano, (4) waiver para petróleo russo em trânsito. Resultado: Brent acima de US$100 no fechamento da semana.

A razão é estrutural: todas as medidas adicionam barris de crude em terra — mas o problema é físico, no mar. O Hormuz bloqueia 15-20Mb/d de escoamento diário. SPRs e waivers liberam crude que ainda precisa de refinamento, logística e tempo de entrega. A única solução que funcionaria é a reabertura do Hormuz — e o Líder Supremo iraniano acabou de declarar explicitamente que isso não vai acontecer.

2.2 — A RUSSIA GANHOU DUAS VEZES

O waiver para o petróleo russo é o momento geopolítico mais significativo da guerra até agora — mais do que qualquer strike ou declaração militar. Em 13 dias, os EUA: (1) reverteram a pressão de sanções construída desde 2022, (2) forneceram a Moscou um argumento de que a guerra iraniana 'prova' que as sanções ocidentais são reversíveis sob pressão, e (3) geraram fissura com a Europa precisamente no momento em que a atenção geopolítica ocidental está dividida entre o Oriente Médio e a Ucrânia.

A Rússia ganha: petróleo acima de US$100/bbl, sanções parcialmente suspensas, e reputação como parceiro estratégico do Irã. Receita diária russa de petróleo e gás em março: €510 milhões/dia (+14% vs. fevereiro). A guerra iraniana está sendo financiada, indiretamente, pelo consumidor americano.

2.3 — O FED E A SELIC: O CANAL DIRETO PARA O EMPRESÁRIO BRASILEIRO

Goldman Sachs revisou para cima sua projeção de PCE (inflação de gastos de consumo pessoal nos EUA) e revisou para baixo o PIB americano de 2026. Com Brent médio de US$98-100 em março-abril, a inflação americana de energia vai subir de ~2,4% (fevereiro) para estimativa de 3,5-4% em março-abril. O Fed não pode cortar juros neste ambiente.

O Banco Central brasileiro replica esta lógica: petróleo alto = pressão cambial e inflação importada = Selic sem espaço para recuo. Qualquer modelo de negócio no Brasil que dependia de queda de juros no H1 2026 deve ser revisado. O custo de capital brasileiro permanece elevado por pelo menos mais 2-3 trimestres além do que estava precificado.

2.4 — A CRISE HUMANITÁRIA ACELERA — E CRIA NOVOS RISCOS

3,2 milhões de iranianos deslocados (UNHCR). 830.000+ no Líbano. Total aproximado de 4 milhões de deslocados no conflito em 13 dias. O número aproxima-se do que a crise síria gerou em meses. A OMS alertou sobre 'chuva negra' contaminada por fumaça das refinarias iranianas destruídas. A ONU classificou a situação humanitária no Líbano como 'ritmo sem precedentes de deslocamento.'

Para empresários: cadeias de suprimento regionais que incluem fornecedores ou clientes em zonas de conflito estão sob risco operacional direto. Contratos de força maior (force majeure) devem ser ativados agora, antes que os fornecedores os ativem contra você.

3 — O LADO QUE NINGUÉM ESTÁ MOSTRANDO

3.1 — O WAIVER RUSSO COMO TESTE DE TEMPLATE: O QUE VEM A SEGUIR?

A suspensão parcial das sanções russas não é só uma medida energética — é um teste de política externa. Se funcionar (mesmo marginalmente) para reduzir preços domésticos americanos, estabelece um precedente: pressão econômica suficiente pode reverter sanções unilateralmente impostas. Isso tem implicações diretas para: (a) Venezuela, cujo petróleo os EUA também sancionam e que poderiam ser o próximo waiver; (b) o próprio Irã, se Trump decidir que um acordo rápido exige concessões energéticas; (c) a credibilidade futura de qualquer regime de sanções ocidentais.

3.2 — O KC-135: A VULNERABILIDADE LOGÍSTICA QUE NINGUÉM DISCUTE

A queda do KC-135 — mesmo sem causa hostil confirmada — expõe uma vulnerabilidade estrutural: aviões de reabastecimento aéreo voando em zona de conflito de alta intensidade com ameaças de mísseis e drones iranianos ativos em múltiplos países. O IRGC tem sistemas antiaéreos man-portable (MANPADS) e radar de longo alcance. A linha entre 'fogo inimigo' e 'acidente em ambiente hostil' é tênue. Este tipo de perda logística — não de combatentes, mas de infraestrutura de suporte — é o tipo de desgaste que força revisão estratégica no médio prazo.

3.3 — OS FUZILEIROS NAVAIS: O SINAL QUE O MERCADO AINDA NÃO PRECIFICOU

O deslocamento de 2.200 fuzileiros navais da 31ª MEU a bordo do USS Tripoli é o sinal mais importante do dia que passou quase despercebido pela cobertura de petróleo. Uma MEU é a unidade de 'resposta rápida' dos EUA — especializada em operações anfíbias, abordagem de navios e controle de pontos estratégicos costeiros. A conexão mais óbvia: preparação para operação de abertura forçada do Hormuz por via marítima. Se esta for a intenção, representa escalada militar direta — e o Irã já declarou que 'qualquer navio tentando passar deve obter permissão iraniana — ou enfrentar ataques.'

3.4 — IRÂNIA EXPORTANDO PARA A CHINA ENQUANTO BLOQUEIA O MUNDO

Um detalhe revelador: enquanto o IRGC ataca navios que 'ignoram avisos' de parada, o Irã está exportando seu próprio petróleo para a China pelo Hormuz usando navios iranianos — e permitindo passagem seletiva para navios indianos. O bloqueio do Hormuz é um instrumento de guerra seletiva, não um fechamento físico total. Isso significa que: (1) o Irã tem controle preciso sobre o quê e quem passa; (2) China e Índia estão comprando petróleo iraniano com desconto enquanto o mundo paga US$100+; e (3) a 'crise de oferta' tem uma válvula que o Irã controla unilateralmente.

3.5 — GOLDMAN: O CENÁRIO QUE NINGUÉM QUER VER

Goldman Sachs revisou a projeção de Brent para US$100+ em março, US$85 em abril — mas adicionou um cenário crítico: se o fechamento do Hormuz se estender a dois meses, a projeção de fim de ano sobe de US$71 para US$93. Barclays foi mais direta: 'Brent pode testar US$120 se o conflito persistir por mais algumas semanas, com cenário de US$150 antes do fim do mês' em escalada máxima. Commonwealth Bank of Australia: 'Brent pode disparar para US$120-150 para forçar destruição de demanda em economias em desenvolvimento quando os déficits físicos se materializarem.'

A destruição de demanda é o mecanismo de ajuste de último recurso do mercado — preços tão altos que países emergentes simplesmente param de comprar. Este é o cenário onde a crise energética se converte em recessão global.

4 — IMPACTO SETORIAL: DIA 13

SETOR

DINÂMICA DIA 13

DISCERNIMENTO PRÁTICO

PETRÓLEO FORA DO GOLFO (Petrobras, produtores EUA, Equinor)

Brent US$103,14 no fechamento. Goldman: US$100+ em março inteiro. Alta de 36% desde 28/02.

Petrobras e produtores de shale americanos operam em margens históricas. Se você tem exposição acionária neste setor via fundos, entenda que o risco de reversão quando o Hormuz reabrir é de 20-30% em dias.

DEFESA / CYBERSEGURANÇA

CENTCOM reportou destruição de 5.500+ alvos no Irã e 60 navios. Demanda por reposição de munições sem precedentes.

Lockheed Martin, RTX, NOC com contratos plurianuais garantidos. Fornecedores de componentes eletrônicos para defesa têm pipeline de 18-24 meses. Cadeia de fornecimento brasileira (Embraer Defesa) em posição favorável.

AVIAÇÃO / TURISMO (jet fuel +30%+)

Dubai International Airport danificado por drones (4 feridos). Qatar Airways retomou operações limitadas. IEA: 3Mb/d de refino regional fechado afeta jet fuel diretamente.

Renegociar contratos de frete aéreo sem fuel surcharge é emergência. Cada semana de espera é custo adicional absorvido por quem não tem cláusula de reajuste.

INDÚSTRIA / PETROQUÍMICA / FERTILIZANTES

LPG, nafta e diesel com oferta restrita. IEA: 3Mb/d de capacidade de refino regional parada. Alta de fertilizantes em 30-45 dias provável.

Janela de compra de insumos agrícolas para safra 26/27 está se fechando esta semana. Cada dia de espera com Brent acima de US$100 = risk premium maior nos contratos.

⚠ CRÉDITO / JUROS — FED E SELIC PARALISADOS

Goldman revisa PCE para cima e corta PIB EUA. Sem espaço para corte de juros em H1 2026. Selic brasileira segue.

Decisões de capex que dependem de queda de juros em 2026 devem ser revisadas agora, não após os dados de março. O mercado já removeu expectativa de cortes.

⚠ CÂMBIO — REAL E DÓLAR

Dólar forte (porto seguro) + petróleo alto = pressão bilateral sobre real. Exportadores ganham em margem; importadores perdem duplamente.

Exportadores: manter hedge cambial — não desfazer em dias de queda do Brent. Importadores: avaliar travamento de contratos de câmbio para 90-180 dias, especialmente se importam insumos denominados em dólar.

⚠ RÚSSIA — O BENEFICIÁRIO NÃO DECLARADO

Waiver EUA + petróleo a US$103 = Rússia ganhando €510M/dia. Urals acima de US$80 (vs. US$40 em dezembro).

Empresas com exposição ao mercado russo (mesmo indireta, via parceiros europeus) devem mapear o risco regulatório do waiver sendo revogado após 11/04. A Europa pode criar novos mecanismos de sanção independentes dos EUA.

 

5 — OS 12 SINAIS: STATUS — 13 DE MARÇO

SINAL

STATUS

LEITURA DIA 13

FONTE

🔴 Hormuz — tráfego e controle IRGC

BLOQUEADO

IRGC exige autorização por embarcação. India e China com passagem seletiva. Ocidente bloqueado.

UKMTO / Reuters

🔴 Brent — acima de US$100 pelo 2º dia

CRÍTICO

US$103,14 fechamento. +36% acumulado. Goldman: US$100+ todo março. Waiver russo não resolveu.

CNBC / Goldman Sachs

🔴 Khamenei — ferido, invisível, ameaçando

CRÍTICO

Vance/Hegseth/Trump confirmam ferimentos. Nenhuma aparição em 13 dias. Novos fronts em 'estudo'.

CNN / NPR / NBC

🔴 Novos fronts — MEU / fuzileiros

NOVO/CRÍTICO

2.200 fuzileiros navais da 31ª MEU despachados. Missão não especificada. Potencial operação anfíbia no Hormuz.

NPR / WSJ

🔴 Mortes EUA — 13 totais

ESCALOU

+6 na queda do KC-135 no Iraque. Total: 13 mortos (7 por fogo inimigo, 6 em acidente). 2.200 fuzileiros adicionais a caminho.

Pentagon / NPR

🔴 Gasoline EUA — pressão política

MÁXIMO

US$3,61/galão. Trump sobre fim da guerra: 'quando sentir nos meus ossos.' Sem timeline concreto.

GasBuddy / NBC

🟡 Waiver russo — solução parcial

INSUFICIENTE

124M bbls liberados até 11/04. ~6 dias de suprimento global. Brent não recuou. Europa consternada.

US Treasury / CNN

🟡 IEA SPR 400M bbls — implementação

EM CURSO

Ainda sem barris no mercado. EUA: 120 dias de entrega. Impacto real: semanas 2-4 a partir desta.

DOE / IEA

🟡 Pezeshkian — 3 condições de paz

NOVO

Primeira articulação formal de posição de paz iraniana: direitos legítimos + reparações + garantias internacionais.

Al Jazeera

🔴 Rússia — ganha na guerra alheia

BENEFICIÁRIA

€510M/dia em receita de energia. Waiver EUA erode sanções. Petróleo russo acima de US$80 (vs. US$40 em dez/25).

CREA / PBS / NBC

🟡 Escolta naval EUA — status real

ATRASADO

Wright: 'antes do fim de março'. MEU despachada pode mudar a equação. CNN: Irã considera yuan para passagem seletiva.

CNBC / CNN

🟢 Yanbu / rota saudita — ainda ativa

FRÁGIL

Aramco ofereceu 2M bbls para venda via Mar Vermelho. Houthis ativos mas rota ainda funcional. Alvo potencial.

Reuters / OilPrice.com

 

6 — CENÁRIOS: REVISÃO DO DIA 13

CENÁRIO A — RESOLUÇÃO NEGOCIADA | Prob: 15% | ESTÁVEL

Permanece em 15%. Gatilho mais provável: Trump encerra ataques unilateralmente por pressão doméstica (gasolina próxima de US$4, morte de 13 militares, custo de guerra ao Congresso). China ou Qatar medeiam cessar-fogo técnico. Mojtaba aceita via intermediário não público.

Sinal de alerta do Cenário A: qualquer declaração de Qatar ou Omã sobre mediação ativa, ou redução repentina de ataques israelenses sem anúncio formal. Brent recuaria 20-25% em 48h após anúncio.

CENÁRIO B — ATRITO PROLONGADO | Prob: 35% | REVISADO ↓

Revisado para baixo de 40% para 35%. A queda do KC-135, o deslocamento da 31ª MEU, e a declaração de Mojtaba sobre 'novos fronts' tornam os extremos mais prováveis que o meio-termo. Cenário B exige: Hormuz parcialmente desbloqueado por escolta naval (prevista para fim de março), ausência de ataque a Yanbu ou Abqaiq, e contenção dos Houthis.

Brent: range US$85-105. Fertilizantes: +25-40% para safra 26/27. Fed: sem cortes em H1. Goldman: US$85 em abril se Hormuz parcialmente normalizar.

CENÁRIO C — ESCALADA / GUERRA AMPLA | Prob: 50% | REVISADO ↑ — MAJORITÁRIO

Pela primeira vez na série, Cenário C ultrapassa 50% de probabilidade. Os seguintes fatores convergiram esta semana para torná-lo o cenário mais provável:

        Declaração de Mojtaba: 'novos fronts onde o inimigo tem pouca experiência' — sinalização estratégica explícita.

        Deslocamento de 2.200 fuzileiros navais: preparação para operação que pode desencadear conflito naval direto no Hormuz.

        Apoio tático russo com drones: escalada tecnológica iraniana confirmada pela CNN.

        Houthis citados como aliados ativos: ameaça à rota de Yanbu, a única alternativa real ao Hormuz.

        Khamenei ferido e politicamente pressionado: líderes feridos em guerra raramente recuam — escalada é a resposta esperada.

Brent em Cenário C: US$120-150+. Barclays: US$150 possível 'antes do fim do mês' em escalada máxima. Se Yanbu/Abqaiq atacados: US$180-200 (ameaça iraniana já declarada). Recessão global em 2026-27.

 

7 — PLANO DE AÇÃO: TRÊS HORIZONTES — DIA 13

HOJE — 13 DE MARÇO

AÇÃO

RACIONAL

Se você ainda não travou energia/combustível: esta semana é o ponto de decisão. Cada dia de espera com Cenário C em 50% é risco não precificado.

Com Brent em US$103 e Cenário C (escalada) como majoritário pela primeira vez, o custo de travar agora é o prêmio de hedge vs. o custo potencial de US$130-150 em 30 dias.

Fechar contratos de fertilizantes para safra 26/27 esta semana — não postergar.

Urea e fosfato seguem curva do petróleo com 30-45 dias de defasagem. Com Brent médio de US$100+ em março, o choque em fertilizantes vem em abril-maio.

Revisar toda sua exposição a fornecedores no Golfo (UAE, Kuwait, Qatar, Bahrain): ativar cláusulas de força maior preventivamente.

Dubai International Airport foi danificado. Kuwait teve 6 linhas de transmissão derrubadas. Bahrain interceptou 114 mísseis + 190 drones. A infraestrutura do Golfo está sob ataque sistemático.

ESTA SEMANA (até 20 de março)

AÇÃO

RACIONAL

Monitorar: IMO realiza sessão extraordinária em 18-19/03 em Londres para discutir ameaças ao Hormuz. Esta reunião pode gerar protocolo de escolta multilateral.

Se IMO propuser mecanismo de escolta internacional, é o primeiro passo para reabertura do Hormuz. Brent recuaria US$8-15 no anúncio.

Monitorar: missão da 31ª MEU. Qualquer anúncio de operação anfíbia ou abordagem de navios no Hormuz é gatilho do Cenário C.

A MEU não foi enviada para ficar parada. Se for ativada contra o IRGC no Hormuz, os EUA entram em conflito naval direto com o Irã — e o mercado de petróleo reage imediatamente.

Monitorar: waiver russo válido até 11/04. Avaliar se fornecedores europeus estão reativando compras de crude russo — isso muda o custo de matéria-prima importada.

A Europa tem custo de energia 40-60% mais alto que os EUA. Se waiver russo reduzir preços europeus, pode haver oportunidade de arbitragem em contratos de fornecimento.

PRÓXIMOS 30 DIAS

CENÁRIO

POSICIONAMENTO

Cenário A (15%): cessar-fogo → Brent -20-25% em 48h. Desfazer hedge de energia rapidamente. Avaliar re-exposição a setores derrubados (aviação, logística, emergentes importadores).

A janela de reposicionamento em Cenário A é de 72-96h. Prepare a lista de ativos/contratos a renegociar imediatamente — não improvise na hora do anúncio.

Cenário B (35%): guerra 60-120 dias. Gestão defensiva: caixa, eficiência, zero expansão com crédito. Capex só acima de 2x custo de capital.

Juros altos + energia cara = margem comprimida em todos os setores de consumo e serviços. Empresas com caixa robusto capturarão ativos na retomada.

Cenário C (50%): escalada → Brent US$130-150+. Ampliar caixa ao máximo. Liquidez é sobrevivência. Renegociar toda dívida variável. Cancelar expansões dependentes de crédito.

Em Cenário C: recessão global provável em 2026-27. A empresa que sobra com mais caixa em março de 2027 captura os ativos das que faliram. Liquidez hoje vale mais que crescimento amanhã.

8 — DASHBOARD: SEMÁFORO — 13 DE MARÇO

INDICADOR

STATUS

VALOR ATUAL

PRÓXIMO GATILHO

Brent Crude

🔴

US$103,14

>US$110 = Goldman revisa para US$120+ / <US$85 = Cenário A confirmando

Hormuz (AIS tankers)

🔴

~0 ocidentais / seletivo

AIS >10/dia = desbloqueio parcial. Qualquer navio ocidental passando = teste da escolta naval

Missão 31ª MEU / Fuzileiros

🔴

Em trânsito para região

Ativação vs. IRGC no Hormuz = Cenário C imediato. Brent US$120+ em 24h

Gasoline EUA

🔴

US$3,61/galão

>US$4,00 = pressão política insustentável. Possível reversão estratégica de Trump

Waiver russo (validade)

🟡

Até 11/04 (30 dias)

Renovação = aprofundamento da fissura EUA-Europa. Expiração sem renovação = pressão de volta

Yanbu (única rota alternativa)

🟡

2Mb/d ofertados — Houthis ativos

Ataque bem-sucedido a Yanbu = Cenário C e Brent US$130+ em horas

IMO — sessão extraordinária

🟡

18-19/03 em Londres

Protocolo de escolta multilateral = primeiro sinal de Cenário B estabilizando

Khamenei (condição e postura)

🔴

Ferido, invisível, ativo por escrito

Aparição pública = estabilização interna. Continuidade de silêncio = mais ações por proxy

9 — FONTES — DIA 13

MILITAR E GEOPOLÍTICO

        CNN Live — Iran war Day 13/14 live updates — 13 mar 2026

        Al Jazeera — Iran war Day 14: what is happening — 13 mar 2026

        NPR — All 6 US crew dead in KC-135 crash in Iraq — 13 mar 2026

        NBC Washington — All six airmen confirmed dead — 13 mar 2026

        CBS News — Iran war paralyzes oil trade, US military plane crashes in Iraq — 13 mar 2026

        Al Jazeera — Day 13: what is happening — 12 mar 2026

        NPR — Iran war Day 13 — 12 mar 2026 (Pezeshkian conditions, 3M displaced)

        UNHCR — 3.2 million Iranians displaced — 12 mar 2026

 

ENERGIA E MERCADOS

        CNBC — Brent closes above US$100 for second day — 13 mar 2026

        CNN Business — Oil prices stay high despite US lifting Russian oil sanctions — 13 mar 2026

        NBC News — Trump eases Russian oil sanctions as Iran war sends prices spiking — 13 mar 2026

        PBS News — US eases some sanctions on Russian oil — 13 mar 2026

        Reuters / CNBC — Oil heads for weekly gain despite US sanctions waiver on Russian oil — 13 mar 2026

        OilPrice.com — Goldman Sachs hikes Brent forecast above US$100 for March — 13 mar 2026

        TheStreet — Goldman Sachs resets oil price target for 2026 — 12 mar 2026

        Investing.com — Goldman raises PCE forecast, cuts GDP outlook — 12 mar 2026

        US Treasury — Scott Bessent announces Russian oil waiver — 12 mar 2026

        CREA (Centre for Research on Energy and Clean Air) — Russia oil revenue during Iran war — 13 mar 2026

 

Análise informacional — não constitui recomendação de investimento, consultoria jurídica, médica ou financeira.

Série Hormuz — Edição Integral Dias 13/14 — 13 de março de 2026

 

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